Caminhos antigos descobertas novas
Cultura Megalítica ou Megalitismo
Fenómeno cultural caracterizado
pela construção de grandes monumentos de pedra, cuja origem remonta,
especialmente, ao período pré-histórico Neolítico, cerca de seis a cinco
milénios a.c. . Embora difundida por todo o mundo, desenvolveu-se sobretudo no
mediterrânio ocidental e europa atlântica, tendo a sua maior expressão nos
monumentos de sepultamento.
A anta da Vidigueira, aqui
reproduzida em fotografia, é um desses monumentos que se veem por todo o
Alentejo, a sinalizar, certamente, acontecimentos importantes nas sociedades
humanas já muito distantes de nós; por todo o território nacional vamos
encontrando sítios, muitos deles porque foram integrados na toponímia local,
são a memória, em outro tempo materializada por pedras, de seres humanos cuja
pegada nos antecedeu.
O acontecimento
Um grupo de caça desce do
povoado, localizado na aba sul da serrania, em marcha apressada, procurando
fazer o menor ruído possível para surpreender uma grande manada de auroques que
tinha chegado às ricas pastagens das planícies que se estendiam até onde um
olho certeiro podia enxergar. Caçar alguns destes animais alimentaria a tribo
por alguns meses.
Os adultos eram seguidos por
alguns jovens já em idade de aprender as manhas e truques da caça a animais de
maior porte, e mais perigosos quando acossados pela algazarra final da
perseguição. Embora fizesse frio, o que os cobria não atrapalhava o movimento;
iam bem armados: machados de pedra de gume cortante, lanças leves com bem
trabalhadas pontas de sílex e outros artefactos para esquartejar as feras
abatidas.
Um auroque que pastava
tranquilamente, desgarrado da manada, foi surpreendido e surpreendeu o grupo:
investiu selvaticamente sobre dois jovens que caminhavam em terreno mais
aberto; uma cornada, aplicada com toda a força e peso do bicho, levantou os
rapazes que caíram com estrondo alguns metros à frente…, depois marrou e pisou
desenfreadamente até o grupo conseguir vergá-lo com vários golpes das suas
lanças.
Os corpos foram deixados para
trás, cobertos por pedras que impediam o avanço de algum lobo, ou outro animal,
que farejasse o local. Posteriormente, quem se podia deslocar percorreu o longo
caminho desde a serrania até aos dois amontoados de pedras que cobriam os entes
queridos; ali ergueram um digno monumento de pedra onde colocaram os dois
corpos, ao som de canções e choro, cada um foi deixando pequenos potes com
comida, flores silvestres…, colares e enfeites…, para a viagem no além.
AC


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