Villa romana de S. Cucufate* - abandonada a villa no séc. V, instala-se no seu espaço, por volta do ano de "586 d.C.", um mosteiro da ordem de S. Bento; santuário do mosteiro: "retábulo" pintado por José Escovar (final séc. XVI) e pinturas anónimas (séc. XVII) - representações solares, de anjos e de S. Francisco e S. Bento. *Concelho da Vidigueira
Sunday, May 25, 2008
Villa romana de S. Cucufate - zona termal; intervenções arqueológicas anteriores não resistem à falta de manutenção...
Saturday, May 24, 2008
Menir da Bulhôa (Monsaraz)
Decorado com insculturas nas duas faces: uma representação solar, linhas onduladas, ziguezagues e um báculo.
Friday, May 23, 2008
Thursday, May 22, 2008
Sunday, May 11, 2008
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Transfiguração
Quis escrever um poema
a transbordar de emoção;
a montanha disse-me:
olha apenas...
vê com o coração...
Saturday, May 10, 2008
Thursday, May 08, 2008
Tuesday, April 01, 2008
O "choque petrolífero"
É notícia de abertura de telejornais e 1ª página dos jornais de norte a sul do país: numa herdade alentejana há uma exploração de "pitrólio" em plena actividade, mantida em absoluto sigílio pelo governo e seu proprietário, temendo que os portugueses abandonem os empregos, principalmente funcionários públicos, para se dedicarem definitivamente à paródia. Fonte do ministério da economia, sob anonimato, confirma a notícia e adianta que o "poço" descoberto há cerca de 1 ano, poderá abastecer o país de Krúde por outros tantos mil. Comentadores mais atentos dos "media" pensam que o "choque petrolífero" será o grande trunfo de Só Krátes nas eleições de 2009.
Sunday, March 30, 2008
Monday, March 10, 2008
Reportagem de guerra...
texto: Luis Galhardas
ilustração: Paula Costa
Uma menina e uma velha vagueiam na estrada que se transformou num mar de lama, entre colunas de soldados de aspecto indiferente, carros de combate fumegando e rugindo ameaçadoramente e um frio agreste que se instalou por todo o sítio muito antes da chegada do Inverno.
Martina, assim se chama a pequena, não deve ter mais de seis anos e já transporta a beleza das mulheres da região – cabelos e olhos negros, nariz e boca com traço perfeito. Entre o braço esquerdo e o peito sustem com jeito e carinho maternais uma boneca, brinquedo que conseguiu retirar são e salvo da casa da família totalmente arrasada pelo fogo da artilharia pesada. E no que foi o seu quarto de dormir recuperou também, quase intacto, um carrinho de madeira que servia para brincadeiras ao ar livre com as amigas e onde transporta agora alguma roupa que as chamas não consumiram.
Martina viu os corpos dos pais e dos irmãos despedaçados entre os escombros mas não deitou uma lágrima, não disse uma palavra, nem emitiu um sinal de desespero perante o cenário dantesco a que viu reduzida a família.
A velha tem o peso dos anos marcado no corpo. Foi bonita? Com certeza, as mulheres aqui são todas bonitas quando novas. Depois criam barriga, quer tenham filhos, quer não, engordam e por fim mirram como árvores sem seiva e aparecem cheias de rugas.
Maria Ngucha – é o nome da mulher – há muitos anos que se arrasta só, entre privações de toda a ordem e guerras.
Poderia ser avó de Martina mas não é. São apenas companheiras no mesmo caminho que não tem outro destino que não seja fugir da zona de combate. Encontram-se num fim de tarde quando procuram abrigo da intempérie e da bandidagem, nas ruínas de uma casa esventrada.
A velha Ngucha angariara um pão e alguma fruta que reparte com Martina. Depois anicham-se uma na outra para melhor resistirem ao frio.
Ao longe ouvem-se os rebentamentos – mesmo de noite as armas não se calam «porque o trabalho tem que ser muito produtivo».
-De onde vens tu, pequena? – pergunta a velha Ngucha.
Martina encolhe os ombros, em gesto significativo, e aponta em direcção a sul. Esbatidos no céu, avistam-se os contornos dos montes para lá dos quais fica a sua cidade ou o que resta dela – um amontoado de ruínas fantasmagóricas.
-Também vens da montanha, como eu, a fugir da guerra que ainda nos mata a todos! –E como te chamas tu? – insiste a velha.
Martina volta a encolher os ombros, pois não fala desde o dia em que viu a casa e a família desfeitas. Mas desta vez duas lágrimas rolam pela face da menina que recorda os dias felizes que passou para lá daqueles montes. E tenta perceber porque apareceram tantos soldados e homens armados que em menos de dois dias transformaram em cacos a sua cidade. Com estes pensamentos terríveis para uma criança da sua idade, Martina aconchega-se melhor no corpo da mulher e deixa-se dormir.
Maria Ngucha sente o calor daquele corpo franzino que lhe dá algum conforto. Olha o céu em agradecimento pela dádiva daquela companhia.
A abóbada celeste está estrelada como nunca e por cima da casa destelhada, que lhes serve de refúgio, distingue uma estrela por ser a mais brilhante no firmamento.
Apesar do ruído longínquo e contínuo dos canhões, imediatamente pensa para si: -hoje deve ser noite de Natal – se não é poderia ser – e aquela estrela ali por cima... ...talvez queira indicar que aqui se encontra o Menino. Mas desta vez engana-se... ...porque afinal é uma Menina!
É o último pensamento da velha Maria Ngucha. Um tiro, sabe-se lá vindo de onde, transforma em pó o «refúgio» em que a menina e a velha passam a noite (supostamente de Natal).
AC
Martina, assim se chama a pequena, não deve ter mais de seis anos e já transporta a beleza das mulheres da região – cabelos e olhos negros, nariz e boca com traço perfeito. Entre o braço esquerdo e o peito sustem com jeito e carinho maternais uma boneca, brinquedo que conseguiu retirar são e salvo da casa da família totalmente arrasada pelo fogo da artilharia pesada. E no que foi o seu quarto de dormir recuperou também, quase intacto, um carrinho de madeira que servia para brincadeiras ao ar livre com as amigas e onde transporta agora alguma roupa que as chamas não consumiram.

Martina viu os corpos dos pais e dos irmãos despedaçados entre os escombros mas não deitou uma lágrima, não disse uma palavra, nem emitiu um sinal de desespero perante o cenário dantesco a que viu reduzida a família.
A velha tem o peso dos anos marcado no corpo. Foi bonita? Com certeza, as mulheres aqui são todas bonitas quando novas. Depois criam barriga, quer tenham filhos, quer não, engordam e por fim mirram como árvores sem seiva e aparecem cheias de rugas.
Maria Ngucha – é o nome da mulher – há muitos anos que se arrasta só, entre privações de toda a ordem e guerras.
Poderia ser avó de Martina mas não é. São apenas companheiras no mesmo caminho que não tem outro destino que não seja fugir da zona de combate. Encontram-se num fim de tarde quando procuram abrigo da intempérie e da bandidagem, nas ruínas de uma casa esventrada.

A velha Ngucha angariara um pão e alguma fruta que reparte com Martina. Depois anicham-se uma na outra para melhor resistirem ao frio.
Ao longe ouvem-se os rebentamentos – mesmo de noite as armas não se calam «porque o trabalho tem que ser muito produtivo».
-De onde vens tu, pequena? – pergunta a velha Ngucha.
Martina encolhe os ombros, em gesto significativo, e aponta em direcção a sul. Esbatidos no céu, avistam-se os contornos dos montes para lá dos quais fica a sua cidade ou o que resta dela – um amontoado de ruínas fantasmagóricas.
-Também vens da montanha, como eu, a fugir da guerra que ainda nos mata a todos! –E como te chamas tu? – insiste a velha.
Martina volta a encolher os ombros, pois não fala desde o dia em que viu a casa e a família desfeitas. Mas desta vez duas lágrimas rolam pela face da menina que recorda os dias felizes que passou para lá daqueles montes. E tenta perceber porque apareceram tantos soldados e homens armados que em menos de dois dias transformaram em cacos a sua cidade. Com estes pensamentos terríveis para uma criança da sua idade, Martina aconchega-se melhor no corpo da mulher e deixa-se dormir.
Maria Ngucha sente o calor daquele corpo franzino que lhe dá algum conforto. Olha o céu em agradecimento pela dádiva daquela companhia.
A abóbada celeste está estrelada como nunca e por cima da casa destelhada, que lhes serve de refúgio, distingue uma estrela por ser a mais brilhante no firmamento.
Apesar do ruído longínquo e contínuo dos canhões, imediatamente pensa para si: -hoje deve ser noite de Natal – se não é poderia ser – e aquela estrela ali por cima... ...talvez queira indicar que aqui se encontra o Menino. Mas desta vez engana-se... ...porque afinal é uma Menina!
É o último pensamento da velha Maria Ngucha. Um tiro, sabe-se lá vindo de onde, transforma em pó o «refúgio» em que a menina e a velha passam a noite (supostamente de Natal).
AC
Friday, February 29, 2008
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